Ontem foi dia de eleição no Brasil. E, mesmo vivendo na Europa, fiz questão de cumprir mais uma vez o meu dever como cidadã brasileira: votar.

Morar fora do Brasil não significa deixar de ser brasileira.

Pelo contrário. Muitas vezes, a distância nos faz olhar para o nosso país de uma maneira diferente.

Nós, brasileiros que vivemos na Europa, sabemos o que significa deixar para trás família, amigos, costumes e uma parte da nossa história. Cada pessoa tem os seus motivos, mas muitos de nós atravessamos o oceano procurando novas oportunidades, segurança, estabilidade e uma vida melhor para nós e para nossas famílias.

E talvez seja justamente por isso que, quando chega o momento de votar, eu não consigo pensar apenas em uma eleição.

Penso no Brasil que gostaria de ver melhorar.

Penso nas pessoas que continuam vivendo lá.

Penso nas próximas gerações.

Penso no país que um dia deixamos e no país que gostaríamos de encontrar quando voltamos.

Votar no exterior também é exercer cidadania

Nas eleições brasileiras de 2026, mais de 918 mil brasileiros residentes fora do país estavam aptos a votar. Para quem transferiu o domicílio eleitoral para o exterior, a votação é para presidente e vice-presidente da República. Tribunal Superior Eleitoral

Eu faço parte desses brasileiros que continuam exercendo o seu direito de escolha mesmo vivendo longe.

E não considero o voto apenas um direito.

Para mim, é também uma responsabilidade.

É o momento em que cada cidadão pode olhar para aquilo em que acredita, analisar propostas, observar o que foi prometido e o que efetivamente foi realizado e decidir que caminho deseja para o país.

Cumpri meu dever de cidadã: votar no Brasil mesmo vivendo na Europa

Eu também voto de acordo com aquilo em que acredito

Não escondo que tenho os meus valores e as minhas convicções.

Ao votar, considero aquilo que vejo no Brasil depois de anos de governos e promessas, aquilo que acredito que foi ou não entregue e, principalmente, os princípios que considero importantes para a sociedade.

Família, fé em Deus, liberdade, responsabilidade e respeito estão entre os valores que fazem parte da minha vida.

Outras pessoas podem pensar diferente de mim — e isso também faz parte da democracia.

Meu voto representa aquilo em que eu acredito.

O voto de outra pessoa representará as convicções dela.

Democracia também significa compreender que não precisamos pensar todos da mesma maneira para continuarmos fazendo parte do mesmo país.

Quem vive fora também deseja um Brasil melhor

Existe algo sobre a experiência de morar no exterior que sempre me faz refletir.

Quando conhecemos outros países, inevitavelmente começamos a comparar.

Percebemos coisas que funcionam bem.

Outras que funcionam menos.

Descobrimos novas maneiras de organizar a vida, trabalhar, empreender e conviver.

Isso não significa acreditar que a Europa seja perfeita — está muito longe disso.

Mas significa ampliar o olhar.

E quando voto no Brasil, levo comigo também tudo aquilo que aprendi vivendo fora.

Não voto pensando apenas em mim.

Voto desejando que o brasileiro que permaneceu no Brasil também possa construir uma vida melhor sem precisar sair do seu país para procurá-la.

O que cidadania tem a ver com o meu trabalho?

Talvez alguém esteja pensando:

“Lourdes, mas o que tudo isso tem a ver com Reflexologia?”

Para mim, tem a ver com uma palavra que utilizo muito no meu trabalho:

responsabilidade.

Na Reflexologia Podal, não basta conhecer os pontos dos pés. É preciso saber que existe uma pessoa diante de nós e que nossas escolhas profissionais têm consequências.

Precisamos estudar.

Precisamos escutar.

Precisamos respeitar limites.

Precisamos agir com responsabilidade.

Na cidadania acontece algo parecido.

Uma sociedade também é construída pelas pequenas e grandes escolhas de cada pessoa.

Assim como acredito no cuidado individual, acredito na responsabilidade coletiva.

Cuidar também é participar

Na Lourdes Carvalho Réflexologie, em Luxembourg, falo muito sobre cuidado, escuta e respeito.

E acredito que cidadania também passa por isso.

Cuidar da nossa família.

Cuidar das pessoas.

Cuidar da comunidade em que vivemos.

Respeitar quem pensa diferente.

Informar-se.

Questionar.

E participar.

Ontem, a minha maneira de participar foi simples:

eu fui votar.

Saí de casa como reflexologista, mãe, mulher, brasileira vivendo na Europa e cidadã.

Entrei na cabine eleitoral levando comigo as minhas experiências, minhas convicções e aquilo que desejo para o futuro do Brasil.

E fiz a minha escolha.

Porque podemos morar a milhares de quilômetros de distância, construir uma nova vida em outro país e aprender novos idiomas.

Mas algumas raízes continuam conosco.

O Brasil continua sendo uma delas.

Que cada brasileiro possa exercer sua cidadania com consciência, liberdade e responsabilidade — independentemente de qual seja a sua escolha política.

Lourdes Carvalho
Lourdes Carvalho Réflexologie – Luxembourg
Reflexologia Podal | Réflexologie Plantaire